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Planejar as compras. Comprar menos e melhor
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foto Daniel Barreto
Reciclagem de óleo também faz parte das regras de uso consciente dos produtos alimentícios
Fernanda Manécolo
Ser um consumidor consciente também pode representar economia no fechamento das contas. Uma das premissas do consumo consciente é o não-desperdício, e a máxima não se aplica somente a recursos naturais, mas também aos gastos pessoais. Mesmo que indiretamente, consumo consciente ``faz bem ao bolso´´ ao pregar o corte de supérfluos e a diminuição de desperdícios.
No entanto, utilizar aspectos não-financeiros nas decisões de compras pode significar, na prática, não levar o produto mais barato da prateleira. Muitas vezes, aquele preço baixíssimo encontrado em um produto só foi possível à custa de exploração desleal de trabalhadores, compra de matéria-prima de origem desconhecida ou sonegação de impostos.
O economista Valdemir Pires, que fez um estudo sobre o tema, explica que a concepção de consumo consciente é transformar o ato da compra em uma prática permanente de cidadania e, ao pregar o corte de supérfluos e a diminuição do desperdício, é possível economizar.
Para este consumidor, destaca Pires, se alimentar e se vestir, por exemplo, vão além de saciar a fome, se adornar ou se aquecer do frio. ``O objetivo do consumo, quando consciente, extrapola o atendimento de necessidades individuais e leva em conta também seus reflexos na sociedade, economia e meio ambiente. Ser um consumidor consciente já foi estar atento aos seus direitos e comprar produtos mais baratos. Hoje, a preservação ambiental e a consciência humana estão acima destes valores e compõem o perfil do consumidor moderno´´, explica Pires. ``Vai além de consumir produtos orgânicos, produzidos sem agredir o meio ambiente. É também evitar os impactos ambientais, como gastos excessivos de água e energia e procurar consumir bens e mercadorias idôneas, ou seja, que não são originários de relações inaceitáveis como trabalho escravo, trabalho infantil, trabalho insalubre´´, acrescenta.
Nem todos estes produtos idôneos recebem selos de qualidade específicos por isso, alguns consumidores utilizam outros recursos, como a internet, para se inteirar das práticas de cada empresa. ``É preciso ter força de vontade, porque hoje estas ações estão em uma via contrária ao capitalismo, que prega o consumismo exacerbado´´, avalia o economista.
Selos e certificações
Alguns produtos apresentam selos atestando práticas de responsabilidade social das empresas. São eles: SO 14.000 e 26.00 (programa de qualidade empresarial), Selo Procel (eficiência de economia de energia), Selo FSC (madeira certificada), Certificado Deméter/IBD (alimentos orgânicos), Selo Fairtrade (de comércio justo) e Selo Carbononeutro (neutralização das emissões de CO2).
Dicas para as compras
O consumidor consciente que defende e pratica o conceito deve ter sempre à mão, no momento das compras, uma lista de produtos fabricados por empresas que utilizam animais como cobaias para testes ou que em alguma etapa da produção permitem trabalho escravo ou infantil. Esta lista pode ser obtida em sites especializados. Ele também observa se as embalagens têm selos e certificações que atestam a idoneidade das fabricantes e é adepto da reciclagem – isso inclui optar por artigos embalados em materiais recicláveis e reciclados – nunca isopor, por exemplo.
Segundo o economista Valdemir Pires, em defesa da própria saúde, por exemplo, o consumidor consciente também não adquire mercadorias produzidas ou comercializadas sem os devidos cuidados quanto à composição, manipulação, armazenamento e transporte. Por razões econômicas, limita as quantidades para evitar desperdício. Por prezar a boa educação e a convivência cordial, procura amenizar os malefícios que suas opções de consumo acarretam sobre terceiros. Para preservar o meio ambiente, seleciona bens que evitam ou minimizam a devastação. Para dar sua contribuição ao combate às injustiças sociais, boicota países e empresas ofertantes de produtos que embutem relações de trabalho desprovidas do mínimo de respeito ao ser humano, em sua integridade física, psicológica e moral.
Pires acrescenta que, considerando o consumo uma necessidade humana, ele é inevitável, mas é necessário ter autocontrole. Ele defende que o consumismo deve ser evitado ao máximo, por meio de tratamento médico adequado quando tem origem clinicamente explicável; ou por meio de conscientização econômico-financeira do consumidor, quando decorrente das tentativas dos produtores de controlar a consciência de seus potenciais clientes.
Os 12 princípios do consumo consciente
1 - Planejar as compras. Comprar menos e melhor;
2 - Avaliar os impactos do consumo no meio ambiente e na sociedade;
3 - Refletir sobre suas reais necessidades e tentar viver com menos;
4 - Reutilizar produtos, e não substituir o que pode consertar;
5 - Reciclar lixo;
6 - Usar crédito com responsabilidade. Pensar bem se poderá pagar as prestações;
7 - Se informar e valorizar as práticas de responsabilidade social das empresas;
8 - Não comprar produtos piratas, contribuindo para geração de empregos e combate ao crime organizado;
9 - Enviar às empresas sugestões e críticas construtivas;
10 - Divulgar o consumo consciente. Levantar essa bandeira para amigos e familiares;
11 - Cobrar dos políticos. Exigir ações que viabilizem a prática do consumo consciente;
12 - Refletir sobre seus valores. Avaliar os princípios que guiam suas escolas e hábitos de consumo.
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